Abordagem mais defensiva para as ações do setor de saúde
Banco Safra rebaixa classificação de ações do setor de saúde como Hapvida, Rede DÓr, Mater Dei, Dasa e Oncoclínicas; confira a análise dos especialistas
10/02/2025 3 minutos
Para os planos de saúde, aumentos de preços de dois dígitos e controles de custos mais rigorosos devem continuar impulsionando as melhorias na sinistralidade | Foto: Getty Images
O Banco Safra está adotando uma abordagem mais conservadora para as ações do setor de saúde, mesmo após o desempenho significativamente inferior ao de outros setores. Segundo o Safra, as ações de saúde carecem de apelo com o prêmio de risco adicional da agenda regulatória.
Embora veja valuations relativamente atraentes em alguns nomes, o Safra acredita que uma reavaliação depende em grande parte da dissipação das preocupações macroeconômicas e específicas do setor, o que não parece estar se materializando no curto prazo.
Considerando o alto grau de incerteza, o Safra prefere jogar na defensiva até ter uma perspectiva mais promissora. Como resultado, o banco rebaixou a classificação das ações de Hapvida (HAPV3), Rede D’Or (RDOR3), Mater Dei (MATD3) e Dasa (DASA3) para Neutro, e Oncoclínicas (ONCO3) e CM Hospitalar (VVEO3) para Venda.
Por outro lado, o Safra elevou Fleury (FLRY3) para Compra, devido ao perfil de risco baixo, sólida geração de caixa e atrativo rendimento de dividendos.
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O banco manteve as recomendações Neutras para Odontoprev (ODPV3) e Qualicorp (QUAL3). Perspectiva macro é um fator determinante.
Como o setor é moderadamente intensivo em capital (investimento em hospitais e infraestrutura ambulatorial, capital regulatório para seguradoras, etc.) e o crescimento no número de beneficiários de planos privados está altamente correlacionado à criação de empregos formais, o ambiente econômico geral desempenha um papel importante na perspectiva para a saúde.
Com o impacto das taxas de juros em alta sobre o custo de capital e a esperada desaceleração econômica que deve se seguir, há ventos contrários crescentes que devem impedir um desempenho forte no curto prazo para as empresas listadas.
Uma vez que a perspectiva macroeconômica melhore, permitindo melhores estimativas de crescimento e um custo de capital mais baixo, o Safra acredita que o setor pode se recuperar e entregar um desempenho sólido. Até lá, o Safra avalia que os investidores devem ficar à margem.
Agenda regulatória pesa nas ações de saúde
Após mudanças significativas na frente regulatória (lista de procedimentos da ANS, fim das limitações para terapias relacionadas ao TEA, etc.), o setor de saúde permanece sob pressão significativa de potenciais novas regulamentações.
As medidas recentes propostas pela ANS podem tornar o ambiente de negócios significativamente mais desafiador. Embora veja o risco de tais medidas serem implementadas no curto prazo como relativamente baixo, o Safra acredita que as empresas listadas têm ferramentas para mitigar em grande parte os impactos negativos potenciais, o que nos deixa menos preocupados com novos ventos contrários.
Ruído negativo em torno do assunto pode persistir por tempo
O valuation parece atraente, mas a volatilidade deve permanecer alta, segundo os especialistas do Safra. O setor de saúde está atualmente negociando a um múltiplo P/E de 2025 de 11,3x, representando um desconto de 62% em relação à média de 5 anos.
Além disso, o prêmio do setor sobre o Ibovespa (excluindo Petrobras e Vale) foi significativamente comprimido, agora em 50% em comparação com a média de 5 anos de 162%.
Acreditamos que esses métricos de Valuation sugerem um perfil de risco-retorno atraente para investidores dispostos a suportar a volatilidade e permanecer no longo prazo, oferecendo um potencial de alta substancial, assumindo que os ventos contrários atuais eventualmente diminuirão.
Vale mencionar que a volatilidade deve permanecer alta até que as preocupações macroeconômicas e relacionadas ao setor se dissipem.
Ideias temáticas e cenários alternativos
Considerando o ambiente desafiador e a natureza fluida dos desenvolvimentos nas frentes macroeconômica e setorial, o Safra sugere maneiras alternativas de jogar no setor com base nas visões e apetite de risco dos investidores.
Crescimento de dividendos – FLRY3: A maneira mais segura de jogar, na opinião do Safra, com um perfil de risco baixo e perspectiva de crescimento de dividendos (rendimento de 7,8%).
Jogo de valor quando o risco se dissipa – HAPV3: Sua dinâmica operacional em melhoria, independentemente da piora nas provisões, nos faz acreditar que a ação está sendo punida por um prêmio de risco acima da média, o que pode proporcionar uma oportunidade atraente uma vez que as preocupações macroeconômicas e específicas do setor se dissipem.
Opção de recuperação de crescimento/GARP – RDOR3: a empresa está bem posicionada para quando as taxas de juros caírem e o crescimento de volume retomar, o que, juntamente com (muita alavancagem operacional e alguma financeira), deve impulsionar um potencial de alta significativo.
Preferência relativa por RDOR3 vs. ONCO3: O Banco Safra acredita que a RDOR tem maior relevância setorial e melhor balanço, execução geral e momento de ganhos.
Riscos.
- (i) perspectiva macroeconômica;
- (ii) regulatório;
- (iii) custo de capital;
- (iv) endividamento; e
- (v) aumento dos custos operacionais.
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