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Ações de frigoríficos podem ser afetadas por salvaguardas da China

Se confirmadas, medidas podem ter implicações negativas para as ações dos frigoríficos brasileiros, já que a China compra mais da metade da carne bovida exportada com Brasil

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A ação mais exposta às exportações de carne bovina para a China é do frigorífico Minerva Foods (BEEF3), seguida por Marfrig (MBRF3) e JBS (JBSS32) | Foto: Getty Images

O governo e os frigoríficos brasileiros estão monitorando a possibilidade de o governo chinês impor salvaguardas contra as exportações de carne bovina para o país, numa tentativa de proteger a indústria local.

Uma investigação foi iniciada em dezembro de 2024 para analisar os impactos do aumento das importações de carne bovina do Brasil, Austrália e Argentina pela China, em resposta a reclamações de frigoríficos chineses.

A indicação é de que será imposta uma cota (atualmente estimada em um milhão de toneladas por ano) e que tarifas de até 55% seriam aplicadas sobre volumes que excederem esse nível.

Executivos do setor de frigoríficos afirmam que o governo brasileiro deveria aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica sobre as vendas de veículos elétricos chineses ao Brasil caso a cota fique abaixo de 1,4 milhão de toneladas, média dos últimos três anos.

Salvaguardas da China podem afetar fritoríficos brasileiros

Se confirmadas, as medidas podem ter implicações negativas para os frigoríficos brasileiros, já que a China respondeu por cerca de 54% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025.

Ainda assim, a crescente escassez global de carne bovina, combinada com uma demanda ainda forte, deve compensar em grande medida os
impactos de potenciais salvaguardas chinesas, na avaliação dos especialistas do Banco Safra.

A ação mais exposta às exportações de carne bovina para a China é do frigorífico Minerva Foods (BEEF3) (17% das receitas), seguida por Marfrig (MBRF3) (5% das receitas) e JBS (JBSS32) (3% das receitas).

Principais destinos da carne bovina brasileira

Os números de exportação de carne bovina do Brasil no acumulado do ano mostram o melhor desempenho ano contra ano (volumes cresceram 24% a/a, atingindo máxima histórica), com a China como principal destino (53,8%), seguida por Estados Unidos (7,4%), Chile (4,2%) e México (4,0%).

Nos 12 meses anteriores à imposição de tarifas pelo governo Trump sobre diversos itens exportados pelo Brasil, incluindo carne bovina, as exportações para os EUA representavam 10,1% do total.

Implicações potenciais se as salvaguardas chinesas forem confirmadas

Uma cota de um milhão de toneladas para a China implicaria uma redução de 38% nas exportações do Brasil para o país em relação às 1.613 mil toneladas dos últimos 12 meses.

O saldo de 613 mil toneladas poderia ser redirecionado para outros mercados, incluindo os EUA, que respondiam por 10% das exportações brasileiras de carne bovina antes da imposição de tarifas em julho de 2025, posteriormente revertidas em novembro de 2025.

O Banco Safra destaca que há uma escassez crescente de carne bovina no mundo devido à oferta limitada nos EUA, e o início do ciclo de baixa no Brasil deve agravar essa escassez (o USDA estima uma redução de 6% na produção brasileira de carne bovina em 2026, equivalente a 181 mil toneladas a menos a/a).

Essa escassez global, combinada com uma demanda ainda forte, deve mitigar os impactos de potenciais restrições impostas pela China.

Argentina e Brasil são os países mais expostos às exportações de carne bovina para a China (75,7% e 53,8% do total, respectivamente), enquanto EUA (14,6%), Uruguai (36,3%) e Austrália (18,3%) devem ser menos impactados por possíveis medidas de salvaguarda.

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