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Ações de energia são mais seguras em ano de eleições

Em tempos de volatilidade na Bolsa de Valores, as ações de empresas de transmissão de energia oferecem previsibilidade e dividendos, segundo o Banco Safra

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Energia

O Safra mantém a recomendação Compra para Alupar — e segue considerando a empresa como o nome preferido | Foto: Getty images

Investidores do mercado de ações tendem a usar as empresas de transmissão de energia como porto seguro em anos em que o mercado apresenta grande volatilidade. Como o ano de 2026 pode ser um desses anos, as ações do setor podem ser uma boa escolha pela sua previsibilidade e pelo bom colchão proporcionado pelos dividendos, segundo os especialistas do Banco Safra.

Para orientar os investidores a investir com segurança antes das eleições, o Banco Safra atualizou as projeções para as ações das elétricas Alupar, ISA Energia e Taesa.

As projeções foram atualizadas com a incorporação dos resultados recentes das companhias, novas premissas macroeconômicas e portfólios de ativos atualizados.

O Safra mantém a recomendação Compra para Alupar — e segue considerando a empresa como o nome preferido (TIR de 10,6%, DY* de 4,0%) —, manteve indicação de Venda para ISA Energia (TIR de 8,2%, DY* de 7,3%) e elevou Taesa para Neutra (de Venda), já que a companhia entra na fase final de implantação de vários projetos, o que pode abrir espaço para maior distribuição de dividendos (TIR de 9,3%, DY* de 10,0%).

Melhores ações para investir em transmissão de energia

Fundamentos sólidos em diferentes estágios do ciclo de investimentos justificam as recomendações dos especialistas do banco Safra nas empresas de transmissão de energia:

  • (i) Alupar segue como a principal escolha no segmento, oferecendo a maior TIR e o maior upside, à medida que a integração do novo projeto na América Latina melhorou as perspectivas de retorno e aumentou a exposição a receitas denominadas em USD (18% em 2029). Ainda assim, a alavancagem deve permanecer elevada (4,0x dívida líquida/EBITDA), mas implica um CAGR de EBITDA 2026–2029 de ~13%.
  • (ii) Elevando Taesa para Neutra, já que a empresa se aproxima do fim de um grande ciclo de investimentos, levando a um rápido processo de desalavancagem e criando espaço para maior distribuição de dividendos (média de 10,0%), entre as maiores da nossa cobertura;
  • (iii) mantendo Venda para ISA Energia, apesar de a companhia ainda oferecer um yield de 7,3%, pois negocia com TIR
    limitada de 8,2% e continuará em um ciclo intenso de capex até 2029, o que potencialmente limita distribuições adicionais de dividendos e sua participação em novos leilões que poderiam destravar valor. O Safra ressalta, porém, que a resolução da disputa com a SEFAZ pode gerar upside adicional.

Principais drivers das ações das transmissoras de energia em 2026

  • (i) Leilões de transmissão no Brasil (totalizando R$ 25 bilhões em capex) e na América Latina (Alupar é a única do segmento que participa);
  • (ii) possível resolução da disputa com a SEFAZ, que pode destravar até ~R$ 3,5 bilhões para a ISA Energia (assumimos R$ 1,4 bi em nosso cenário-base);
  • (iii) leilões de baterias e soluções de armazenamento de energia (BESS), que podem atrair players de transmissão;
  • (iv) antecipação de pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio antes de mudanças nas regras tributárias.

Mudança nas estimativas

O Banco Safra ajustou os modelos de avaliação das empresas de transmissão de energia para incluir os seguintes fatores:

  • (i) WACC nominal médio de 9,6% para transmissão e 9,7% para geração (vs. 10,0% e 10,8% anteriormente);
  • (ii) novas premissas macro;
  • (iii) novas curvas de capex e portfólios atualizados;
  • (iv) estimativas de curtailment de 26% em 2026, déficit hídrico de 10% e curva atualizada de preços de energia (preço de longo prazo de R$ 220/MWh) para a operação de geração da Alupar;
  • (v) novas estimativas para a compensação da SEFAZ (VPL de R$ 1,4 bi) e capex de reforços (~R$ 1,4 bi/ano até 2032 e R$ 1,0 bi de 2033–2042) para a ISA;
  • (vi) nova estimativa para o ressarcimento de ativos não amortizados ao término das concessões.

Principais riscos:

  • (i) desempenho operacional fraco;
  • (ii) decisões ruins de alocação de capital;
  • (iii) redução das distribuições de dividendos;
  • (iv) curtailment e déficits hídricos maiores do que o esperado (para Alupar);
  • (v) cronograma e valores diferentes dos estimados na compensação da SEFAZ para a ISA Energia;
  • (vi) atraso no início operacional de projetos.

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