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Ações das construtoras de baixa renda são as preferidas no setor

Banco Safra atualiza as estimativas para as ações das construtoras e promove a Cury (CURY3) como a principal escolha no setor em um ano difícil para o mercado acionário

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Prédio em construção, com guindaste ao fundo, alusivo às atividades da Plano&Plano

Relatório do Safra atualiza as estimativas para o setor e reforça visão positiva para as construtoras focadas no perfil de baixa renda | Foto: Getty Images

As construtoras de baixa renda continuam sendo as preferidas do Banco Safra no setor de habitação. O banco atualizou as estimativas para as construtoras sob sua cobertura, incorporando novas premissas macroeconômicas e um custo de capital mais alto.

Na avaliação do Safra, as taxas de hipoteca fixa de baixa renda continuam sendo a melhor aposta contra o ciclo de aperto monetário, pois o segmento deve continuar a se beneficiar do ambiente melhorado do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

A inflação na construção levantou alguns sinais de alerta, mas os especialistas do Safra continuam confiantes na capacidade das construtoras de manter níveis saudáveis de margem bruta.

O banco também nota que quaisquer surpresas de custo podem ser majoritariamente mitigadas por aumentos de preços, enquanto ainda espera um crescimento sólido dos lucros mesmo sob níveis deteriorados de margem bruta (uma improvável perda de 2 pontos percentuais na margem bruta ainda geraria uma taxa média de crescimento (CAGR) de EPS (Earnings per Share) médio de 31% de 2024 a 2026).

Saiba mais

O Safra adota uma postura mais cautelosa em relação ao nicho de média/alta renda, mas as tendências micro favoráveis não devem ser ignoradas.

O ambiente hawkish (rigoroso contra a inflação) deve continuar a dominar o fluxo de notícias do segmento, colocando pressão adicional nas contas de poupança e levando a novos aumentos nas taxas de hipoteca, o que em algum momento pode ter um impacto maior nas vendas, segundo os especialistas do Safra.

As avaliações também provavelmente permanecerão comprimidas (~5,2x P/L) devido à forte correlação do segmento com as taxas de longo prazo, ficando fora do radar da maioria dos investidores até que o sentimento macroeconômico melhore.

No entanto, as vendas ainda não mostraram sinais claros de desaceleração, enquanto o estoque de média/alta renda em São Paulo permanece no nível mais baixo desde fevereiro de 2020 (quando as taxas de hipoteca estavam próximas de um mínimo histórico), um sinal positivo para os futuros lançamentos das construtoras.

Investimentos em ações das construtoras

Em um ano difícil para os mercados de ações brasileiro, os investidores provavelmente favorecerão histórias mais estabelecidas com lucros consistentes, já que os níveis de avaliação devem ficar em segundo plano nas decisões de investimento.

Assim, o Safra está promovendo a Cury (CURY3) como a principal escolha no setor à luz dos níveis mais fortes de margem bruta e conversão de caixa da empresa na indústria, o que deve sustentar pagamentos de dividendos mais altos.

Enquanto isso, o banco vê a Cyrela (CYRE3) desafiando os fundamentos da indústria com uma operação impecável, enquanto suas ações estão sendo negociadas perto de um mínimo histórico de 4,3x P/L, apesar das taxas de rentabilidade recordes.

A Direcional (DIRR3) também permanece entre nossos nomes preferidos, refletindo a excelente execução da empresa, dividendos mais fortes (rendimento de 13% em 2025E) sustentados por uma perspectiva de fluxo de caixa positivo e níveis de avaliação atraentes.

Safra reitera recomendações de Compra

Os especialistas do Banco Safra consideram a Plano & Plano (PLPL3) sendo negociada a um atraente 4,3x P/L (35% de desconto em relação à média de 6,6x da Cury e Direcional), enquanto combina crescimento sólido dos lucros, um balanço patrimonial sem alavancagem e fortes perspectivas de dividendos.

Enquanto isso, acreditamos que a Tenda (TEND3) está mais próxima do que nunca de implementar com sucesso sua reestruturação completa, acelerando seu processo de desalavancagem, dado o cenário de lucros melhorado (ROE de 33% em 2025).

Finalmente, o Safra também mantém as recomendações de Compra para Lavvi (LAVV3) e Moura Dubeux (MDNE3). Ambas as empresas possuem níveis de estoque mais baixos e menor alavancagem, sustentando maiores índices de rentabilidade (ROE de 27% para LAVV e 17% para MDNE em 2025).

Rebaixando MRV (MRVE3) e EVEN (EVEN3) e mantendo recomendação Neutra para Eztec (EZTC3). Embora o Safra acredita que o plano de redução da Resia deve dar frutos a longo prazo, ele já deve ter um grande impacto no P&L da empresa em 2025, enquanto sua maior alavancagem (120% de dívida líquida/patrimônio, incluindo cessões de crédito) deve afetar seu poder de lucro.

Como resultado, o banco vê as ações da MRV sendo negociadas a uma avaliação de 6,2x P/L para 2025, implicando um prêmio de 13% em relação à média de seus pares.

O Safra também rebaixou a Even para Neutra, pois está mais à margem em relação aos resultados futuros da empresa, dados os níveis mais altos de estoque e o pipeline de grandes desenvolvimentos de alto padrão que podem ter um impacto maior em seu balanço patrimonial e índices de rentabilidade.

Finalmente, o Safra mantém a recomendação Neutra para a Eztec, dados os níveis de estoque ainda altos e a perspectiva de ROE fraca.

Atenção aos riscos:

  • (i) inflação na construção maior do que o esperado pressionando o fluxo de caixa e os níveis de margem bruta das empresas;
  • (ii) escassez de financiamento para o programa MCMV resultante de maiores saques do FGTS;
  • (iii) taxas de hipoteca mais altas e menor acessibilidade das famílias afetando as vendas futuras mais do que o esperado;
  • (iv) maiores cancelamentos considerando o pico esperado de entregas em 2025/2026; e (v) reforma tributária – os impostos sobre o valor agregado (IVA) para as construtoras de média/alta renda podem chegar a até ~4% (vs. 2% atualmente).

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