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Bradesco e Itaú são melhores escolhas em cenário de cautela para bancos

Banco Safra reitera a preferência pelo Bradesco (BBDC4), seguido pelo Itaú Unibanco (ITUB4), que deve manter o ritmo consistente de crescimento dos últimos trimestres

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Ações de bancos

Banco do Brasil e Santander devem apresentar novamente os números mais desafiadores nos balanços referentes ao terceiro trimestre | Foto: Getty Images

Os especialistas do Banco Safra esperam que o custo de risco continue se expandindo na margem para todos os bancos, com Banco do Brasil (BBAS3) e SANB (SANB11) enfrentando novamente os números mais desafiadores nos balanços referentes ao terceiro trimestre (3T25).

Casos rurais e alguns corporativos devem ser os mais prejudiciais para os indicadores de qualidade de ativos. No entanto, com taxas de juros a 15% por mais de seis meses, o Banco Safra ainda vê resiliência no ciclo de crédito, que tem sustentado crescimento acima de 10% a/a, sem deterioração material nos níveis consolidados de inadimplência.

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Para o Bradesco (BBDC4), os especialistas do Safra continuam vendo maior resiliência na receita, apoiada pela substituição de vintages mais antigos por novos e de maior qualidade, o que deve levar a NIMs estáveis e a uma expansão sequencial dos lucros — apesar das provisões e de despesas operacionais mais pesadas.

Assim, o Banco Safra reitera a preferência pelo Bradesco, seguido pelo Itaú Unibanco (ITUB4), que deve manter o ritmo consistente de crescimento dos últimos trimestres.

(-) Santander Brasil (N; PA BRL 35) – 29 de outubro (antes da abertura).

O Safra espera que o lucro do santander fique praticamente estável sequencialmente em R$ 3,584 bilhões (ROE 15,9%). Mais uma vez, o NII de mercado deve ter contribuição negativa (-R$ 840 mi), provavelmente a pior do ano (dado o maior número de dias úteis e o maior gap de 12 meses na taxa média de juros).

O Safra espera que a carteira de crédito acelere marginalmente em relação ao desempenho estável do 2T (+3,2% a/a), principalmente liderada pela carteira de financiamento, PMEs e cartões de crédito (principalmente impulsionados pelo segmento de alta renda).

O Safra projeta que as provisões líquidas permaneçam praticamente estáveis (custo de risco -6bps t/t), enquanto os NPLs permanecem sob pressão (+15bps t/t, refletindo o aumento da inadimplência de curto prazo no 2T). Isso deve levar a um aumento de 2% t/t no NII ajustado ao risco.

Ações de bancos: BBDC4 e ITUB4 são as melhores escolhas

(+) Bradesco (C; PA BRL 21) – 29 de outubro (depois do fechamento).

O Safra projeta EBT de R$ 7,915 bi (+1% t/t) e lucro líquido de R$ 6,291 bi (ROE 15,0%). O ritmo de crescimento do crédito deve desacelerar ligeiramente (+10% a/a), principalmente liderado por empréstimos pessoais e imobiliários, parcialmente compensado por uma sólida expansão em empréstimos para PMEs sob programas governamentais, enquanto a inadimplência de 90 dias deve apresentar um aumento marginal de +7bps t/t.

O safra projeta que um aumento de 5% t/t no NII de clientes mais do que compense o desempenho mais fraco do NII de mercado (BRL 68 mi) e o maior custo de risco (+11bps t/t).

Como resultado, o Safra estima uma expansão de 2% t/t no NII ajustado ao risco. O segmento de seguros deve reportar outro trimestre forte, possivelmente superando o guidance anual.

Para 2026, o banco deve acelerar alguns investimentos em opex apoiados por uma receita robusta, levando a um crescimento de 7% a/a na linha.

(=) Itaú Unibanco (C; PA BRL 46) – 4 de novembro (depois do fechamento).

O Safra espera que o lucro líquido aumente +3% t/t para R$ 11,827 bi (ROE 23,2%), com a expansão sequencial explicada por uma menor alíquota de imposto, enquanto projeta EBT estável em R$ 16,963 bi.

O Safra espera um desempenho mais fraco do NII (+0,8% t/t), à medida que a sazonalidade desfavorável nas operações estruturadas de atacado impacta o NII de clientes.

O NII de mercado deve enfrentar uma base difícil em relação ao 2T (-3% t/t). Devido ao aumento esperado de 6bps t/t no custo de risco (provisões líquidas +3% maiores t/t), o Safra projeta NII ajustado ao risco estável (NIMs ajustados ao risco -10bps t/t).

Quanto à carteira de crédito, a forte originação de linhas governamentais para PMEs deve continuar sendo o principal driver de crescimento, e o Safra projeta um aumento de +17bps nos NPLs de PMEs, refletindo normalização nos níveis de inadimplência.

O Safra destaca que a valorização do R$ deve novamente impactar negativamente o crescimento das carteiras corporativa e LatAm.

(-) Banco do Brasil (N; PA BRL 25) – 12 de novembro (depois do fechamento).

O terceiro trimestre deve ser o pior do ano para o BB. Dada a sazonalidade no segmento rural, a maior parte da deterioração nos estágios da carteira deve ocorrer no 3T, levando a um aumento acentuado de 159bps t/t nos NPLs de 90 dias.

A carteira de PMEs deve continuar pressionando a qualidade dos ativos também, impulsionando um aumento de 14bps t/t nos NPLs da companhia.

Como resultado, o Banco Safra projeta provisões de R$ 17 bi (+6,2% no custo de risco) sendo novamente o principal fator negativo para os lucros, com a expansão de 4% t/t no NII bruto não sendo suficiente para compensar esse impacto. Assim, o Safra estima um EBT de R$ 4,867 bi (-8% t/t) e lucro líquido de R$ 3,484 bi (ROE 7,8%).

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