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Ações de bens de consumo básico ainda oferecem oportunidades

O Safra avalia que o setor continua oferecendo oportunidades de crescimento, mas potencial de valorização é limitado para a maioria das ações

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Consumo básico

O Safra incorporou premissas macroeconômicas novas e ligeiramente piores para estabelecer novos preços-alvo das ações de consumo básico | Foto: Getty Images

O Banco Safra introduziu novos preços-alvo em 12 meses e estimativas para companhias de Bens de Consumo Básico com grande valor de mercado sob sua cobertura de Varejo. O banco apresentou a lista de preferências para o segundo semestre de 2025 após incorporar os resultados recentes das companhias e novas premissas macroeconômicas.

O Safra avalia que o setor continua oferecendo algumas oportunidades de crescimento interessantes, com risco limitado relacionado a crises econômicas. No entanto, os níveis atuais de avaliação limitam o potencial de valorização para a maioria das companhias, segundo avaliação dos especialistas do banco.

Ainda assim, o Safra elevou a recomendação da Raia Drogasil (RADL3) de Neutra para Compra (PA R$23/ação, de R$17), pois acredita que o pior já passou.

Além disso, a companhia apresentou um bom segundo trimestre de 2025, especialmente em relação a margens (pressão de margem EBITDA de -33 p.b. a/a vs. -100 p.b. no 1T25 e +49 p.b. vs. a estimativa do Safra), o que deve levar a revisões para cima no lucro (a estimativa de lucro líquido do Safra é 13% maior do que o consenso).

Além disso, o Safra vê RADL3 sendo negociada a um P/L de 18x em 2026, bem abaixo de seus níveis históricos – e continua vendo a companhia como um ativo premium que merece uma avaliação premium, considerando seu histórico e suas perspectivas.

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Varejistas de alimentos

O Safra incorporou premissas macroeconômicas novas e ligeiramente piores (expectativa de taxa Selic média 50 p.b. maior do que a estimativa anterior), bem como suas implicações para a renda disponível dos indivíduos e os balanços das companhias (despesas financeiras).

Além disso, a revisão para baixo da projeção para o PIB (1,8% em 2026E vs. 2,2% anteriormente) deve levar à desaceleração das vendas, como evidenciado no segundo trimestre de 2025 vs. trimestre anterior.

Consequentemente, o crescimento – que é o principal catalisador das ações – não deve acelerar no segundo semestre de 2025. Portanto, o Safra mantém a visão sobre:

(i) Assaí (ASAI3) – recomendação Neutra reiterada (PA R$12/ação, de R$12,6), pois o Safra vê a companhia sendo negociada a um P/L de 10x em 2026, com potencial de valorização limitado (19%), já que a ação subiu 79% em 2025, precificando todo o potencial de aceleração das lojas convertidas;

(ii) Grupo Mateus (GMAT3) – recomendação Neutra reiterada (PA R$8,0/ação, de R$9,0), pois o banco vê a companhia sendo negociada a um P/L de 8x em 2026, com potencial de valorização limitado (15%).

Setor Farmacêutico

O Safra ainda considera o setor resiliente e com boas perspectivas de crescimento, beneficiado pelo bônus demográfico e por hábitos mais saudáveis. Além disso, o crescimento do mercado de 12,3% no acumulado do ano (venda ao consumidor final, ou sell-out) e os resultados do 2T25 – que foram melhores do que o esperado, apesar dos ventos contrários para o setor – reforçam nossa postura positiva, especialmente em relação ao varejo.

Portanto, o Safra elevou a recomendação de RADL de Neutra para Compra (PA R$23 /ação, de R$17 /ação), pois acredita que o pior já passou em termos operacionais e vemos as ações sendo negociadas a um múltiplo P/L atrativo de 18x em 2026, bem abaixo de sua média histórica de 30x, embora não esperemos uma melhora nos múltiplos para esse nível (ao nosso preço-alvo, a avaliação implícita é de 22x).

É importante lembrar que nossa estimativa de lucro líquido para 2026 está 13% acima do consenso. Portanto, o Safra espera revisões para cima nas estimativas.

Quanto à Hypera Pharma (HYPE3), após incorporar os resultados do segundo trimestre de 2025, novas premissas macroeconômicas e um ajuste no capital de giro mais rápido do que o esperado, vemos a companhia sendo negociada a um P/L de 7x em 2026, com um P/L implícito de 8x ao nosso preço-alvo, o que já implica um nível de avaliação justo, considerando o crescimento futuro limitado incorporado ao nosso modelo: taxa de crescimento anual composta de 5% na receita para o período de 2026 a 2028.

Consequentemente, o Safra mantém a recomendação Neutra em HYPE3 (PA R$26,5/ação, de R$27,5).

Riscos. (i) Cenário macroeconômico; (ii) execução (integração de fusões e aquisições, expansão geográfica, reestruturação, desenvolvimento de produtos (HYPE)); e (iii) concorrência.

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