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Aço Brasil: Usiminas lidera leitura positiva com melhora em aços planos

Dados de março do Instituto Aço Brasil indicam retomada das vendas internas, queda das importações de laminados planos e melhora do ambiente para siderúrgicas expostas ao aço plano, como a Usiminas

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Dados de março mostram avanço das vendas domésticas de aço no Brasil, com melhora mais evidente em laminados planos, enquanto o segmento de longos ainda convive com pressão de importações | Foto: Getty Images

Os dados de março divulgados pelo Instituto Aço Brasil apontam uma inflexão positiva para o mercado siderúrgico brasileiro, com retomada das vendas domésticas e sinais mais favoráveis para as produtoras de aço plano do que para as companhias mais expostas ao segmento de aços longos. Na avaliação do Safra, o quadro do mês beneficia principalmente a Usiminas (USIM5), seguida por CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4).

Em março de 2026, as vendas domésticas totais de aço somaram 1,923 milhão de toneladas, alta de 5% na comparação anual e avanço de 19% frente a fevereiro. O movimento foi puxado tanto pelos laminados planos quanto pelos longos.

As vendas internas de aço plano cresceram 5% em relação a março de 2025, para 1,122 milhão de toneladas, enquanto as de aço longo avançaram 6%, para 779 mil toneladas.

Embora o consumo aparente total tenha subido apenas 1% na base anual, para 2,419 milhões de toneladas, a composição dos dados foi desigual. No aço plano, o consumo caiu 2% em um ano, para 1,443 milhão de toneladas. Já no aço longo, houve expansão de 6%, para 976 mil toneladas.

Aço plano mostra sinais mais consistentes que o segmento de longos

A principal leitura qualitativa do relatório é que o ambiente competitivo ficou mais benigno para o aço plano. As importações de laminados planos recuaram 18% na comparação anual, para 347 mil toneladas, enquanto as exportações cresceram 56%, para 93 mil toneladas. Além disso, a penetração de importados no segmento caiu 4,8 pontos percentuais em um ano, para 21%.

Esse conjunto de indicadores sugere alívio relevante sobre a oferta externa no mercado doméstico de planos, o que tende a melhorar o equilíbrio entre oferta e demanda para as usinas com maior exposição a esse segmento.

Longos ainda exibem sinais mistos

No caso dos aços longos, o quadro é menos linear. As vendas domésticas e o consumo avançaram, mas as importações subiram 17% na comparação anual, para 186 mil toneladas, e a penetração de importados aumentou 0,3 ponto percentual, para 19%. Ao mesmo tempo, as exportações de longos recuaram 2%, para 109 mil toneladas.

Na prática, isso significa que, embora a demanda doméstica tenha melhorado, o segmento continua mais pressionado pela concorrência externa. Esse fator limita uma leitura mais construtiva para companhias mais alavancadas em longos, ainda que o ambiente geral de março tenha sido melhor do que o observado em meses anteriores.

Produção sobe na margem, mas ainda fica abaixo do ano passado

Pelo lado da oferta, a produção de aço laminado alcançou 1,917 milhão de toneladas em março, alta de 4% ante fevereiro, mas queda de 6% frente ao mesmo mês de 2025. Nos planos, a produção caiu 4% na base anual, para 1,104 milhão de toneladas; nos longos, o recuo foi de 9%, para 813 mil toneladas.

Já a utilização da capacidade instalada de aço bruto subiu 6,8 pontos percentuais em relação a fevereiro, para 66,2%, um sinal de melhora operacional no curto prazo. Ainda assim, o nível segue distante de patamares historicamente mais robustos, o que indica recuperação parcial, não disseminada.

Preços domésticos podem encontrar mais sustentação em 2026

O relatório também chama atenção para a dinâmica de preços no mercado interno. Segundo a análise, o prêmio de paridade do vergalhão brasileiro daria, em tese, maior espaço para reajustes no segmento de longos do que no de bobinas a quente (HRC), considerando uma faixa considerada justa de 5% a 10%.

De acordo com os dados citados no material, os preços domésticos de HRC acumulam alta de 11% desde setembro de 2025, enquanto os de vergalhão avançaram 5% no período. Para os analistas, a combinação entre medidas definitivas de antidumping e a elevação de tarifas de importação em NCMs selecionados aumenta a chance de um mercado mais equilibrado ao longo de 2026, favorecendo maior disciplina de preços à medida que a cadeia ajusta estoques.

Expectativa de novas medidas para HRC

O Safra afirma esperar decisão semelhante para HRC em julho de 2026. Se confirmada, a medida poderá reforçar a proteção ao mercado local de aço plano, com efeitos potenciais sobre preços, margens e participação de importados.

Ainda assim, o cenário não é isento de riscos. O relatório reconhece preocupações com enfraquecimento do consumo e com o menor número de dias úteis em 2026, fatores que podem limitar a velocidade de recuperação da demanda e a capacidade de repasse de preços.

Usiminas aparece como principal beneficiada; CSN e Gerdau vêm na sequência
A leitura consolidada do Safra coloca a Usiminas como a empresa mais bem posicionada para capturar a melhora observada em março, dada sua maior exposição ao mercado de aços planos e ao segmento doméstico. Em seguida aparecem a CSN e a Gerdau.

Do lado das recomendações, o banco mantém Underperform para USIM5, com preço-alvo de R$ 7,70 para uma cotação local de R$ 7,37; Neutral para CSNA3, com preço-alvo de R$ 11,30 para cotação de R$ 6,86; e Outperform para GGBR4, com preço-alvo de R$ 25,50 para cotação de R$ 21,97.

O que os números de março sinalizam para o investidor

Para o investidor, os dados de março reforçam três mensagens centrais:

  • O mercado doméstico voltou a dar sinais de tração, com alta das vendas internas em ambas as categorias.
  • O segmento de aços planos apresenta melhora competitiva mais clara, com queda de importações e avanço das exportações.
  • A recomposição de preços pode ganhar força em 2026, sobretudo se medidas comerciais adicionais ampliarem a proteção ao produtor local.

Em síntese, março trouxe um retrato mais construtivo para o setor siderúrgico brasileiro, mas ainda heterogêneo. O vetor mais favorável está nos laminados planos, onde a redução da pressão importada e a retomada das vendas domésticas melhoram a perspectiva operacional. Nos longos, apesar do avanço de demanda, a concorrência externa ainda impõe cautela.

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